Árvore, Céu, Inferno e Jung


[...] "Árvore nenhuma, sabemos, cresce em direção ao céu, se suas raízes também não se estenderem até o inferno." [...]
JUNG, C. G.; Aion - Estudo sobre o simbolismo do si-mesmo.

Jung nos fala sobre árvores, raízes e o dualismo cristão entre céu e inferno. Este, mostra-nos, se não, a decisão cotidiana, presente por entre todos, que integra, em sua totalidade, as reflexões individuais e coletivas para com o ato de conhecer a si mesmo.
Você. Eu. Todos aqueles aos quais buscam um propósito à vida, deparam-se com um momento de escolha, ao qual, em sua estrutura, faz-nos abrir mão daquilo que optou-se por não escolher.
Seja um curso em uma universidade, ou um simples sabor de uma barra de chocolate.
Assim como o céu cristão nos traz paz, o inferno nos traz sofrimento. Desta forma, tem-se uma analogia dos mesmos para com o conhecimento: "Afinal, quanto maior o saber, maior o sofrimento; e quanto maior o entendimento maior o desgosto.” (Eclesiastes 1:18).
O medo de se explorar e descobrir o novo, o exótico. O receio de se retirar de sua zona de conforto para confrontar a ignorância.
Tememos tudo aquilo que se caracteriza como oposto, na estúpida tentativa de se conservar o status do "saber".
Pois, há aqueles que escolhem baseando-se no nada. Outros, no tudo. Alguns mais, no meio-termo; ou, então, no que lhes convém perfeito.
Desta forma, deparamo-nos com aquilo que é relativo. Relativo ao ser, ao estar e ao querer.
Faço-lhe um convite, então, a pensar: a escolha se dá a partir da relatividade balanceada de uma situação ao qual, de ambas as partes, trazem-se responsabilidades, estas, para com o saber, tal como para com o sofrer? Ou, o ato de escolher se faz apenas como consequência característica daquele que, antes do mesmo, teve suas decisões dispostas por terceiros? A escolha é um movimento baseado no livre-arbítrio? Você é livre? E, por fim, o saber nos leva ao sofrimento?

Rafael Vianna Costa

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