Vida, morte, luto e Virginia Woolf

 


[...] "A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata." [...]

WOOLF, V.; Orlando, Virginia Woolf.

Vida.
Dada a naturalidade de seu fluxo, para contudo, suas transformações, vejo que permaneço no aonde, enquanto este permanece em mim, no perecer, no tempo.
Estruturado como rimas de um poema engolfado em poças das mais repletas, estas, do fluido vital, transbordando-se.

Sangue.
Encontrá-lo-á, aqui, acolá. Dada sua benevolência dotada de uma clareza insolidificável para com aqueles cujas avenidas pressurizam-se aos ventos. Senti-lo-á ao toque do mais puro brado daquele cujo veneno percorre dutos de uma antes valiosa metrópole.

Morte.
Temê-la, um dever que aqueles cuja insignificância prezam por cumprir. Uma ameaça iminente aos edifícios que antes, dotados de íntegras fundações, expurgam-se, depois, sobre as cabeças daqueles que os construíram, saudando ingratidão.

Luto.
Aquele que se teme mais do que a própria morte. Pois, este, é o encontro tênue do que antes foi possível e, agora, perdeu-se. Encontra-se no topo dos escombros de um monumento, antes, centro de todo o afeto; agora, ao chão. Pressionando-se, ao solo, memórias que não poderão ser substituídas. Vislumbrando-as se afastando por entre a correnteza dos rios que, do sangue, afluem.

Renascimento.
Como a fênix, que das cinzas ressurge, dá-se início ao ciclo natural da vida.
Aspira-se o medo. Reconstrói-se edifícios. Recupera-se a vitalidade. Para depois, temer-se, destruir e reconstruir-se.

Portanto, aonde estou?

Não posso lhe responder, sendo eu, agora. Mas, posso lhe dizer que estou perdido nas lembranças românticas que moldam e fazem o eu, de agora, não ser quem, ontem, fui.

Rafael Vianna Costa

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